Como a inteligência artificial pode apoiar o trabalho de quem projeta experiências, sem substituir o olhar humano, a escuta e o pensamento crítico?
Essa foi a pergunta que guiou uma formação em UX com IA que conduzi, pela Feed Consultoria, para uma equipe de cerca de 30 profissionais da APC e da Editora FTD, do Grupo Marista.
O resultado: quatro protótipos de soluções digitais criados em gincana, muitos insights sobre o uso responsável da IA e uma visão mais madura sobre o papel da tecnologia no dia a dia do design.
O ponto de partida da formação foi simples: a IA não é analista, não é especialista e não é decisora. Ela é ferramenta de apoio.
Ao longo de dois encontros online e uma gincana prática, explorei com as equipes como a IA generativa pode contribuir em momentos-chave do processo de UX, com foco na etapa de Discovery:
- levantamento de hipóteses sobre problemas e oportunidades;
- geração de ideias para entrevistas, questionários e testes;
- simulação de respostas de pessoas usuárias, para explorar cenários;
- organização de dados em clusters e sínteses iniciais;
- apoio à escrita de microtextos para fluxos, telas e mensagens.
A formação utilizou Copilot 365, Miro, Figma e outras ferramentas já presentes no ambiente corporativo do grupo, reforçando uma premissa importante da Feed:
Não se trata de “empilhar ferramentas”, e sim de fazer sentido com o que já existe.
Parar, começar, continuar
Um dos momentos mais ricos da experiência foi a dinâmica “Parar, Começar, Continuar”, realizada em um board do Miro.
A partir de post-its colaborativos, as equipes mapearam:
O que precisamos parar de fazer?
- Confiar cegamente nas respostas da IA.
- Deixar de revisar entregas geradas por modelos.
- Usar a IA sem contexto, apenas “para cumprir tarefa”.
- Delegar soft skills e decisões sensíveis à tecnologia.
O que queremos começar a fazer
- Tratar a IA como ferramenta de apoio, não substituta.
- Usá-la para automatizar tarefas repetitivas e liberar tempo para pensar.
- Entender melhor como os modelos funcionam, para saber quando confiar.
- Estudar impactos de longo prazo, inclusive ambientais e sociais.
O que devemos continuar fazendo
- Manter a curiosidade e o hábito de experimentar.
- Acompanhar tendências e atualizações.
- Utilizar IA como assistente, preservando o protagonismo humano.
- Treinar modelos internos com voz e tom institucionais.
Esse mapeamento coletivo trouxe uma mensagem clara:
As equipes não querem “mais IA a qualquer custo”, mas IA com contexto, ética, segurança e propósito.
Na etapa final da formação, propus uma gincana em duplas. Cada equipe recebeu um desafio conectado ao universo dos livros didáticos e ao cotidiano das escolas atendidas pelo grupo.
A IA foi utilizada como:
- apoio à criação de personas e jornadas;
- ferramenta para gerar e refinar hipóteses;
- auxílio na elaboração de fluxos e interfaces;
- suporte para criar microtextos e mensagens de interface.
Ao final, surgiram quatro soluções-protótipo. Entre elas, uma chamou atenção:
Uma ferramenta de visualização de dados para que alunos e professores possam acompanhar, de forma simples e clara, o desempenho acadêmico ao longo do tempo.
Mais do que a solução em si, o ponto central foi o processo: as equipes combinaram conhecimento pedagógico, visão de produto, práticas de UX e apoio da IA para chegar a resultados em pouco tempo – sem abrir mão de senso crítico.
O papel da Feed: estruturar, provocar, dar método
Ao conduzir projetos como esse, atuamos na Feed em três camadas principais:
1. Fundamentos e linguagem comum
Explicamos o que a IA faz, o que não faz e quais são seus limites.
Conectamos IA à realidade concreta das equipes – nada de laboratório distante.
2. Métodos e ferramentas aplicadas ao contexto
Trabalhamos com o que o cliente já usa (como Microsoft 365, Miro, Figma).
Adaptamos frameworks de UX e content design para um cenário com IA generativa.
3. Espaços de experimentação segura
Criamos dinâmicas em que as pessoas podem testar, errar, comparar outputs e refletir.
Trouxemos discussões sobre ética, LGPD, segurança da informação e impactos ambientais.
A formação para o Grupo Marista e a Editora FTD reforçou uma convicção minha:
Capacitar pessoas é o ponto de partida para qualquer uso responsável de IA.
Sem esse preparo, a IA vira modismo, atalho perigoso ou promessa vazia.
O que este projeto nos ensinou sobre IA nas organizações
Alguns aprendizados que levo desta experiência:
Não basta ensinar prompts. É preciso falar de cultura, critérios, revisão, limites e impactos.
As melhores ideias ainda nascem de gente. A IA acelera, multiplica, organiza – mas não substitui o olhar pedagógico, a experiência de sala de aula, a vivência editorial.
As pessoas querem protagonismo. Os post-its mostraram que os times não desejam uma IA que “manda”, e sim uma IA que colabora.
Casos concretos ajudam a destravar a imaginação. A gincana mostrou que, quando conectamos IA a desafios reais, as equipes criam soluções com alto potencial de aplicação.
Para nós, na Feed, esse projeto reforça uma direção: continuar desenvolvendo formações, dinâmicas e consultorias que integrem IA, UX, conteúdo e estratégia de forma prática e sustentável.
Se a sua organização também está se perguntando:
- como usar IA sem perder a voz da marca?
- como integrar IA a processos de UX, conteúdo ou educação?
- como criar uma cultura de experimentação responsável com IA?
Então, podemos conversar.
Entre em contato com a Feed Consultoria para conhecer nossos programas de capacitação em IA aplicada à experiência, ao conteúdo e à tomada de decisão.
Porque, no fim das contas, não se trata apenas de “usar IA”. Trata-se de criar melhores experiências para pessoas reais, com a tecnologia no lugar certo: ao nosso lado, e não no nosso lugar.
