A arquitetura de informação para portais

A expressão arquitetura de informação foi apresentada pelo arquiteto e desenhista gráfico Richard Saul Wurman, que se destacou por empregar excelentes gráficos nas apresentações das informações.

O arquiteto Wurman desenvolveu a seguinte definição:
Arquiteto de informação: a) a pessoa que organiza os padrões que são inerentes aos dados, tornando o conjunto intelegível: b) a pessoa que cria a estrutura ou mapa das informações que permite que outras pessoas achem seus caminhos pessoais até o conhecimento c) a profissão que surge no século XXI, voltada para as necessidades desta época, e que tem como foco a clareza, a compreensão humana e a ciência da organização da informação.

Na época de Wurman, nem pensava-se em internet. Os computadores eram gigantes. Não existia o cenário de hoje, onde cada colaborador de uma instituição possui uma estação de trabalho, onde se relaciona com outros colabores e com o ambiente externo, sendo um produtor de documentos, informações e conhecimento.

Com o advento da internet e das redes de comunicação locais (lans), este cenário aprofunda-se. Nesta nova forma de trabalho surgiram os portais. Estes precisam ser planejados, programados e abastecidos com informações, lembrando que os ambientes digitais são interfaces de relacionamento com pessoas, sendo necessário portanto prever todo relacionamento informacional dos portais com os seus usuários.

Cabe constar que os arquivistas desenvolvem nos seus processos de descrição arquivística, de elaboração de instrumentos de pesquisa e na indexação de arquivos um processo parecido com a arquitetura de informação. Na prática, ao estudar o produtor e o público que acessa os documentos, analisar todas as fontes de informação, os tipos de informação, as informações importantes para o público, definir uma estrutura para arranjar os documentos e listar suas informações o arquivista está arquitetando a organização das informações de um arquivo.

No caso dos ambientes digitais, os arquivistas podem analisar os públicos que irão acessar os portais e sites e organizar as informações de forma lógica. Agrupar as informações por área de interesse, portanto, é muito parecido com a classificação de grupos de documentos nos fundos, criando suas respectivas classes. Assim, organizar informações educacionais em um portal pela área de interesse é muito parecido com criar uma tabela de arranjo.

Alguns itens relevantes da arquitetura de informação

A arquitetura da informação projetada de forma eficiente agiliza a conclusão de tarefas executadas pelos usuários na busca pelo conteúdo, levando em conta a navegação do usuário. Como afirma NIELSEN (2000, p.15), o objetivo da Arquitetura da Informação deve ser o de estruturar o site “para espelhar as tarefas dos usuários e suas visões do espaço de informação”.

Um ítem importante para a arquitetura de informação de ambientes digitais é lembrar que a world wide web é um sistema baseado em navegação por âncoras, onde milhares de hyperlinks guiam os usuários em busca da informação. Essas âncoras (ou zonas de salto) é
a função mais básica da Internet e um de seus princípios. Configura-se que o acesso as informações não é linear, é interativo.

O engenheiro NILSEN (1999) criou a chamada “Lei da Experiência dos Usuários na Web”, onde define regras básicas de funcionalidades vistas com repetição em sites eficientes. Muitas destas funcionalidades e estruturas devem ser levados em consideração no processo de arquitetura e de organização das informações e desenvolvimento do conteúdo e das interfaces dos portais.

Ao planejarnos a arquitetura de informação para a elaboração de um ambiente digital (um portal), definem-se itens como estrutura informacional e a função de recursos digitais a cada núcleo informacional, mas muitas funcionalidades surgem no processo de roteirização (processo após a arquitetura, onde se desenvolve o conteúdo inicial do portal) e dependem da tecnologia em que está montada (linguagem, conteúdo dinâmico, banco de dados, html, etc) e o nível de parametrização dos dados.

Os repositórios (biblioteca de arquivos) fazem parte dos portais, visto que os documentos digitais alí arquivados são utilizados como fonte de informação. Os portais carregam, além de arquivos digitais outras fontes de informação, explícitas ou implícitas. Os portais são ambientes digitais de instituições ou grupos que usam técnicas de difusão e recolhimento de informações junto a seus públicos. Essas ferramentas podem ser do tipo enquete, conteúdo dinâmico, blogs e fotologs, além de custodiar documentos orgânicos, como relatórios, notícias, memos, e instrumentos de comunicação como newsletters.

Esses portais podem ter seu conteúdo atualizados por administradores ou por todos os participantes do portal, no estilo wikipedia, aonde o conhecimento é contruído através do conteúdo partilhado por qualquer interessado em contribuir com aquele determinado tema(s).

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